sábado, 13 de novembro de 2010

Grupos portugueses ganham quase € 5 bilhões no Brasil

Maior contributo nos primeiros nove meses deste ano veio da Portugal Telecom, mas Brisa, EDP e BES são outras empresas cotadas em bolsa que estão a ganhar.

Lisboa - Os lucros de várias empresas da bolsa portuguesa cresceram nos primeiros nove meses deste ano, tirando partido de ganhos extraordinários, com a venda de importantes participações. O Brasil foi uma das grandes fontes de receita. Até ao final de setembro os grupos portugueses presentes na bolsa encaixaram com o Brasil quase 5 mil milhões (bilhões) de euros, de acordo com as contas do Portugal Digital.

O maior contributo veio da Portugal Telecom, que registou com a venda da sua posição na Brasilcel (controladora da Vivo) um encaixe de 4,49 mil milhões (bilhões) de euros, líquidos das despesas da operação.

O grupo português de telecomunicações já não consolidou nas contas relativas a setembro os resultados operacionais da Vivo, por ser considerada uma operação descontinuada.

A Brisa foi outra cotada portuguesa cujas contas dos primeiros nove meses saíram beneficiadas com o Brasil. A venda de 6% da CCR - Companhia de Concessões Rodoviárias rendeu até setembro ao grupo português uma mais valia de 267,4 milhões de euros.

Já a EDP - Energias de Portugal obteve através da sua participada EDP Energias do Brasil um lucro equivalente a 164 milhões de euros (em linha com o do ano passado), decorrente de uma performance operacional que se saldou num crescimento da margem bruta no mercado brasileiro de 567 para 727 milhões de euros.

Nas suas contas dos primeiros nove meses do ano o Banco Espírito Santo (BES) reportou também uma evolução favorável dos seus negócios no Brasil, apresentando neste mercado um lucro de 26 milhões de euros.

Outras empresas portuguesas cotadas no índice PSI-20 também têm no Brasil uma importante plataforma de actividade. Caso da Galp Energia, que até setembro produziu no mercado brasileiro 0,4 milhões de barris de petróleo.

O desenvolvimento de infra-estruturas no Brasil deverá continuar a alimentar o crescimento de vários grupos portugueses. A cimenteira lusa Cimpor, cujo capital já é dominado por brasileiros, apresentou no primeiro semestre (os dados do terceiro trimestre ainda não foram publicados) um aumento do seu volume de negócios no Brasil de 187,3 para 274,4 milhões de euros.

Na construção, a Teixeira Duarte obteve no primeiro semestre uma facturação de 88,7 milhões de euros no Brasil, que compara com 25,2 milhões em igual período de 2009. A Mota-Engil, por seu lado, ainda não reportou detalhes dos seus resultados no mercado brasileiro, onde começou a operar no ano passado.

Seja como for, e embora os resultados acima referidos não sejam directamente comparáveis (alguns são receitas, outros são lucros e parte deles irrepetíveis por virem de eventos não recorrentes), o Brasil está a ser em 2010 uma importante alavanca das contas dos maiores grupos da bolsa portuguesa.

Das duas dezenas de empresas que fazem parte do principal índice da bolsa lusa, metade delas tem algum tipo de exposição ao Brasil. E várias delas, como são os casos da Galp, Portugal Telecom, EDP, EDP Renováveis ou Mota-Engil, estão a investir dezenas de milhões de euros no país. Sementes que poderão, a breve prazo, dar novos frutos na contabilidade destes grupos portugueses.

Caso a caso: Quem está no Brasil?

Portugal Telecom
A PT vendeu os seus 50% na Brasilcel, controladora da Vivo (que fica nas mãos da espanhola Telefónica). O acordo com a Telefónica também prevê a venda da Dedic. Mas a PT já tem um pré-acordo para a sua entrada no capital da brasileira Oi, garantindo assim a continuidade da sua presença no mercado brasileiro de telecomunicações.

EDP
A EDP - Energias de Portugal tem, através da EDP Energias do Brasil, presença no mercado brasileiro de geração, distribuição e comercialização de electricidade. Na geração está a investir na central termoeléctrica a carvão do Pecém e em novas centrais hidroeléctricas. Na distribuição actua nos estados de São Paulo (Bandeirante) e Espírito Santo (Escelsa).

EDP Renováveis
A participada do grupo EDP para as energias limpas, que também está cotada na bolsa portuguesa, marca igualmente presença no Brasil. Trata-se de um mercado ainda com peso reduzido na geração de energia eólica da empresa, mas onde poderão nos próximos anos surgir fortes desenvolvimentos, já que o Brasil é um dos países que têm a maior carteira de projectos da EDP Renováveis.

Galp Energia
Parceira da Petrobras, a petrolífera portuguesa tem em curso a exploração de vários blocos no Brasil, tanto no mar como em terra, tendo em alguns deles o papel de operadora do consórcio. Além do petróleo, onde a Galp tem investido dezenas de milhões de euros só no Brasil, os biocombustíveis são outra área de cooperação com a Petrobras.

Banco Espírito Santo
O BES é accionista de referência do banco brasileiro Bradesco, o qual também tem uma participação relevante no banco português. O Brasil faz parte do chamado "triângulo estratégico" do BES, que aposta no mercado brasileiro essencialmente na área da banca de investimento. Uma aposta em linha com a do Grupo Espírito Santo, cuja presença no Brasil não se limita à banca, abrangendo também o turismo e a agropecuária.

Brisa
A concessionária portuguesa de auto-estradas foi durante vários anos accionista estratégica da brasileira CCR, posição que já começou a vender, não havendo perspectivas no curto prazo de que a Brisa regresse ao mercado brasileiro.

Cimpor
A cimenteira portuguesa tem actualmente o seu capital controlado pelas brasileiras Camargo Corrêa e Votorantim. Mas já antes de estas assumirem o controlo, a Cimpor tinha presença relevante no Brasil, com várias fábricas de cimento espalhadas pelo país. O grupo português tem no mercado brasileiro um dos seus maiores geradores de receita, a par de Portugal e Espanha.

Teixeira Duarte
A construtora portuguesa tem há vários anos negócios no Brasil, quer na construção, quer nas concessões. Trata-se de um dos mercados que mais crescem e mais peso estão a assumir nas vendas da Teixeira Duarte. No Brasil o grupo português também está ligado ao mercado petrolífero, através da participada Alvorada.

Mota-Engil
Um dos maiores grupos portugueses de construção, a Mota-Engil iniciou a sua ofensiva em território brasileiro no ano passado, em busca das oportunidades criadas pela expansão económica do Brasil. A Mota-Engil fez aquisições no Brasil e já está posicionada nos sectores da construção, ambiente e concessões.

Fonte: Portugal Digital, autor Jorge Horta

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