quinta-feira, 1 de outubro de 2009

A primeira corrida a gente nunca esquece

“Foi neste autódromo, no GP de Portugal, disputado em 21 de abril de 1985, que o Ayrton Senna conseguiu sua primeira vitória na Fórmula 1. Eu já te contei isso…”, relembra o Fernando assim que chegamos ao Circuito do Estoril.

Um dia depois de experimentar a calmaria proporcionada por um veleiro, estávamos, eu e o Fe, em meio aos roncos dos motores no Circuito do Estoril para acompanhar a Superleague Fórmula. Detalhe: nenhum dos dois se lembrou de levar protetores auriculares. O jeito foi improvisar bolinhas de papel com pedaços de lenço que achei milagrosamente na bolsa.

Quem já não ouviu o Galvão Bueno dizer que o ronco do motor arrepia? E, arrepia mesmo. Mas, é de dor. O barulho tem tantos decibéis que chega mesmo a incomodar. Portanto, jamais cometam o mesmo lapso e lembrem-se de levar os protetores para os ouvidos.

A prova aconteceu no dia 6 de setembro, num domingo típico de final de verão lusitano: sol forte no horizonte mesclado com um ar gelado. Daqueles dias que você fica no sol pensando estar apenas afastando o frio do vento e quando chega em casa percebe que está um pimentão.

Eu e o Fe tínhamos o bilhete que dava direito a arquibancada B e andar livremente pelo paddock. Os carros lembram os da Fómula 1. Os mecânicos fazem os últimos ajustes enquanto os curiosos amontoam-se para registrar o momento.

Mesmo não tendo nossos times representados nessa competição - em que o locutor português local fazia questão em frisar que não tinha custo algum para o clube que apenas emprestava sua marca -, ficamos na torcida pelos pilotos das duas equipes brasileiras na prova: Antônio Pizzonia (Corinthians) e Enrique Bernoldi (Flamengo).

A competição é dividida em três partes. Duas corridas para todos, de 45 minutos, sendo que a 2ª largada vale o lema “os últimos serão os primeiros”. A terceira corrida, conhecida como Super Final traz à pista apenas os 3 melhores de cada corrida, para estabelecer o vencedor do fim-de-semana. Não sei se a ideia foi “imitar” os tempos do esporte original dos clubes ali representados, mas confesso que, como telespectadora achei cansativo.

Na pista, vimos Antônio Pizzonia, largando em 1º e chegando em 3º, cedendo posições para Esteban Guerrieri do Olympiacos-GRE, que cruzou em primeiro, seguido de Adrian Valles do Liverpool. Na 2ª bateria, o portugês Álvaro Parente deu a equipe do Porto uma vitória em casa, com Enrique Bernoldi chegando em 3º lugar. Na Super Final, quem se deu bem e faturou 100 mil euros, foi o francês Sébastien Bourdais, ex-Fórmula 1, e piloto do carro do Sevilla. O único brasileiro presente nesta ronda, Antônio Pizzonia não completou a prova e ficou com o 5º lugar.

Como chegamos cedo, ainda vimos uma prova de FIAT Uno e no intervalo da Super League, acompanhamos a prova de FIAT Punto.

Peripécias

Fomos de táxi da Estação de Trem do Estoril, até o Circuito. Pegamos o cartão do taxista com a intenção de chamá-lo no término do evento. A ideia era boa se eu não tivesse esquecido o meu celular em casa e se o Fernando tivesse crédito no dele. Depois de ter acordado cedo e sair do autódromo por volta das 15h, nos aventuramos a andar na beira da estrada em busca de um shopping que parecia uma miragem ao longe. O bendito local, deve ter sido construído apenas para motoristas, pois, quanto mais andávamos mais ficávamos longe de um acesso à pedestres. Cansados, conseguimos atravessar correndo um estradinha e “escalar” o jardim traseiro do shopping. Descabelados, suados e agora com terra nas mãos, confesso que avistar um táxi foi tranquilizante. Depois do pitstop no banheiro, veio a pergunta: você quer comer algo? A resposta veio tão ligeira como a volta de um pole position: vamos pegar o táxi!

+ Superleague Fórmula
+ Circuito Estoril
+ Ayrton Senna

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