quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Içar vela, marujo!

Eu já conhecia Lisboa por terra e por ar. Por mar, foi diferente.

A primeira vez que sobrevoei a cidade vi o Tejo e os prédios conviverem harmoniosamente bem.

Em terra, o sol estava intimidado por um forte e gelado vento, mas a arquitetura antiga mesclada com a nova disposição dos edifícios apresentou o meu mais novo velho lar.

Agora estava eu, ali. No meio do rio que há séculos atrás viu partir as naus e as caravelas dos descobrimentos portugueses.

A experiência aconteceu no último sábado, quando resolvi usar o voucher que havia ganho na festa de final de ano da empresa. Dentre as inúmeras e emocionantes opções, como andar em um burro ou circular pelo centro lisboeta dentro de um bugue falante, escolhi fazer algo que nunca tinha feito. Andar de burro! Não, não. Eu nunca andei de burro antes, mas não iria desperdiçar meu vale presente com um passeio deste. A opção escolhida foi “Baptismo (com p mesmo para os que ainda não aceitaram o acordo ortográfico) de Vela”.

Lá fomos, eu e o Fe, e mais um outro casal velejar no Tejo. Foram 4 horas de passeio, com uma guia local. Na verdade, passeio para mim, porque o resto da tripulação não teve moleza. Sobrou para os rapazes a árdua tarefa de prender a vela e içá-la. O leme logo ganhou uma comandante, e eu confesso que não me importei nem um pouco com isso. A guia afrouxava os cabos da vela principal para tomarmos rumo. E, para vocês não acharem que eu fui preguiçosa, até ajudei a puxar alguns cabos com a ajuda de uma manivela. E como tem cabo neste barquinho!

Com a vela em rumo e bem inclinada, me sentei no lado mais alto do barco com as pernas para o rio. Com a margem cada vez mais afastada, descobri muitas águas-vivas numa água surpreendentemente gelada e salgada. Talvez por estarmos próximos ao mar. (O Tejo é um rio que nasce na Espanha, banha Lisboa e desagua no Atlântico)

Saímos da Docas de Belém e velejamos à toda sentido Oeiras. Enquanto o vento soprava forte fazendo a vela deslizar sobre o rio agitado o passeio corria maravilhosamente bem. Quando retornamos sentido ao Porto de Lisboa com a água mais calma e pouco vento o enjoo foi inevitável para marinheiros de primeira viagem e a contagem regressiva para o término do roteiro já era uma constante em nossas cabeças.

“Foi uma experiência diferente que será pensada duas vezes antes de repetir a dose, sem ser num barco com um motor potente que quebre as ondas”, conta o Fe. Heheheh… Mesmo assim foi uma bela escolha. Avistamos Lisboa de um prisma diferente. Passamos por baixo da Ponte 25 de Abril e descobrimos que seu “chão” não é “chapado”. Do rio, dá para ver os carros e o trem passando em cima das nossas cabeças. É um barulhão.

Rapazes são novamente escalados: é hora de baixar as velas. Barco ancorado, velas dobradas e guardadas, cabos enrolados. Manu bronzeada e com as pernas brancas de sal respingado da água.

2 comentários:

Lusito disse...

boa Maruja! navegar é preciso - mais vale um bom dia de mar que um bom dia de trabalho, hehehehe.
Um relato com esta qualidade técnica merece diploma de maruja - a palavra cabos foi repetidamente empregue e que bem empregue (nestes relatos de primeira viagem... ai ai ai... passam a vida a chamar-lhe cordas... grrrrrrrr).

Há que repetir a proeza - deixar que o vento penteie os cabelos, o mar lave os pensamentos, rumo ao horizonte! Bons ventos
www.lusito.com

Emanuelle Oliveira disse...

Resposta a Lusito - Repetir a dose? Um dia...
=)